Chioggia: a mini Veneza que voce provavelmente nao conhecera

Chioggia: a mini Veneza que você provavelmente não conhecerá

Na minha última semana na Itália, estava sem paciência e sem grana para viajar para muito longe para matar o tempo. Além disso, eu já tinha visto todos os lugares que queria. Então, a poucos dias do meu vôo, mais de uma pessoa perguntou se eu já tinha ido para Chioggia.

È carina!

“É tipo Veneza, mas menor!”

“Se você gostou de Veneza, vai adorar!”

Como era simples chegar até lá (apenas um trem de Rovigo; para quem está em Veneza, é melhor ir de vaporetto), tirei uma manhã para conhecê-la.

Chioggia, de fato, parece uma mini Veneza. Mas bem mini mesmo: brinquei até que parece a Veneza do Epcot, o parque da Disney que tem áreas representando diversos países. Passear por ela não demora mais do que uma manhã, incluindo uma caminhadinha descalça na praia de Sottomarina, fração de Chioggia muito frequentada no verão.

Mas, antes de chegar lá, é preciso cruzar Chioggia – uma tarefa que dura uns quarenta minutos, se você se deixar explorar o Corso del Popolo, avenida principal da cidade, que continua a ponte que dá na estação de trem. É cerca de um quilômetro entre bares, lojas e construções seculares: Chioggia é uma cidade muito, mas muito antiga. Diz-se que a fundação é de 2000 a.C.

Ao longo do Corso del Popolo, estão os principais pontos de destaque de Chioggia.

O primeiro, logo no início, é o Refugium Peccatorum – Refúgio dos Pecadores. Trata-se de uma estátua imponente de uma madonna com um bebê, com detalhes dourados e flores, que fica ao longo de um canal entre outras estátuas que datam de 1675. Diz-se que, no mesmo lugar, ficava a prisão da cidade e os condenados à morte faziam suas últimas preces aos pés da estátua, por isso o nome.

Ali ao lado, fica o Duomo de Chioggia. Não o visitei porque estava fechado. Um pouco mais adiante, há a Paróquia de San Giacomo Apostolo, que tem uns afrescos bonitos e um altar relativamente imponente. Mas, depois de cinco meses de Itália, acho que já visitei igrejas o bastante pela vida toda. Definitivamente, uma infinidade de igrejas que valem mais a visita que as de Chioggia.

Seguindo a rua, se vê o Campanário de Sant’Andrea. A curiosidade, aqui, fica no relógio: criado em 1386 e transferido para a torre em 1839, é o relógio de torre mais antigo em funcionamento no mundo.

E, bem no fim do Corso del Popolo, onde a rua dá no mar, há a torre com o leão de São Marcos, tão característica do Veneto. Mas o de Chioggia tem um pequeno diferencial – literalmente: o tamanho. É um leãozinho de São Marcos que, dizem, rendia piada para o pessoal de Veneza que ia fazer negócios em Chioggia e ficava miando perto da estátua. Por isso, o tal leão é conhecido como o gato de Chioggia.

Miau!

Do ladinho, fica a Ponte di Vigo, uma das diversas que cruza o canal Vena. Assim como o gato de Chioggia parece um leão em miniatura, a tal ponte também é bastante familiar para quem conhece Veneza:

Movida pela pesca

A pesca é, desde sempre, a base da economia de Chioggia, e isso é facilmente percebido ao caminhar pela cidade.

Há barcos parados ao longo de todos os canais. Logo na entrada, se observam longas fileiras caixas submersas que são como armadilhas para peixes. Não dá para ver as caixas exatamente, exceto quando os pescadores, pela hora do almoço, passam de barco “colhendo” os peixes.

As osterias, que têm frutos do mar como pratos principais junto com as massas, não abrem às segundas-feiras porque não tem peixe fresco: domingo é o dia de descanso dos pescadores. Pelo mesmo motivo, o mercado de peixe também não abre de segunda-feira.

Adivinha em que dia eu visitei a cidade.

Isso mesmo.

Mas consegui comer uma massa com frutos do mar em um restaurante bem modesto, com cozinha simples e atendimento excelente, além de admirar o portal do mercado de peixe.

Criado pelo escultor Amleto Sartori nos anos 40, ele retrata cenas da infância, como brincadeiras com teatro e música. Apesar da temática leve, a história por trás da encomenda do portal é triste: ele foi pedido por uma família que perdeu a filha e mostra todas as atividades que ela não teve a chance de fazer.

Praia perto de Veneza?

Ô se tem! Sottomarina não é a única, mas é uma opção relativamente fácil de chegar e super frequentada pelos italianos que moram na região. Essa fração de Chioggia fica a cerca de meia hora de caminhada da estação de trem, ou vinte minutos do centro da cidade.

É muito interessante ver como as duas partes são porções totalmente diferentes. Enquanto Chioggia tem uma atmosfera super antiga, com as mesmas casinhas apertadas que vemos em Veneza, Sottomarina é moderna, com beach clubs, ruas largas, restaurantes descolados…

Sobre os beach clubs, preciso deixar um aviso para que você não cometa o mesmo erro que eu.

Como fui na baixa temporada, eles estavam fechados e pareciam não permitir o acesso à areia e o mar. Eu já estava com o bloco de notas em mãos pensando no textão que faria sobre como na Itália as praias são privatizadas quando percebi que, além das grades, tinha gente sim! Então, tinha como entrar.

Foi só dar a volta no prédio e pronto: não tinha grade nenhuma. Só tinha pé na areia, pé na água gelada, vento bagunçando o cabelo, tênis cheio de areia e apreciação do barulho do mar apesar de não ter sol.

Dez minutos depois, o sol saiu.

Mas não voltei para a praia; lembrando que em poucos dias estaria de volta no Brasil, com um sol impiedoso e a poucas horas da praia do jeitinho que eu gosto – sem beach club, mas com quiosques que vendem água de coco e guarda sol para pessoas suadas de biquíni – , aproveitei para rever as cores de Chioggia e me despedir da Itália tomando gelato de frente para a lagoa de Veneza.

Grazie, arrivederci

Chioggia não é uma cidade nem primária, nem secundária, nem terciária em visitas à Itália. Acho que quem não mora no país dificilmente irá visitá-la. Tive sorte de poder passar tantos meses lá e conhecer várias cidades extremamente charmosas que dificilmente estariam no meu roteiro em outro contexto. <3

Para terminar, fiquem com mais algumas fotos da mini Veneza que você provavelmente não conhecerá:

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Chioggia: a mini Veneza que você provavelmente não conhecerá

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Giovana Penatti

Oi 🙂 Meu nome é Giovana, sou jornalista e criei o blog para falar de viagens, da vida viajando, da falta que faz viajar! Originalmente, sou de Piracicaba-SP. Hoje, moro na Itália. Sou formada em jornalismo, tenho um cachorro chamado Bernardo, gosto de pizza e roo unhas o tempo todo. Para saber mais sobre o blog e entrar em contato, clique aqui!

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