Subindo na Torre degli Asinelli, em Bolonha

Subindo na Torre degli Asinelli, em Bolonha

Estava no fim do meu segundo e último dia em Bolonha, já conformada que visitar o Santuário Madonna di San Lucca ficaria para a próxima viagem, quando passei em frente à Torre degli Asinelli e parei para ler o tótem que explicava como comprar ingressos.

É possível comprar online ou numa bilheteria que fica ali perto, na Piazza Maggiore. Eles custam €5 e, como a próxima subida era em cerca de 40 minutos, decidi comprar presencialmente.

Mas, na caminhada até a Piazza Maggiore, fui acometida por uma preguiça incontrolável de gastar cerca de R$ 25 para subir 500 degraus e estava prestes a desistir. Até joguei a carta do “quando você vier, a gente vai junto” para o meu namorado, que lembrou que eu não tinha mais nada para fazer e mais umas três horas na cidade.

Então, me vi com uma caixa com pisca-pisca em formato de globo de discos de €5 e tomei vergonha na cara: ok, subir uma torre medieval de 100 metros vale mais esse dinheiro.

Como já estava quase na hora do próximo grupo (eu perdi um pouco a noção do tempo nessa lojinha do pisca-pisca…), acabei comprando online mesmo, como boa parte das pessoas que estavam no meu grupo da subida. Cerca de 15 minutos depois, quando os últimos do grupo anterior terminaram a descida ofegantes e de pernas trêmulas, chegou nossa vez.

Eu era a primeira da fila e já comecei o primeiro lance com toda a energia do mundo. Afinal, se eu parasse, todo mundo pararia. E eu estava ansiosa para completar a subida: você tem, no total, 45 minutos dentro da torre. Quanto mais demorar para chegar lá em cima, menos tempo terá com a vista.

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A torre Garisenda de dentro da Asinelli. Viu como é bem torta?

Acho importante já dizer que você não precisa de mais de 10 minutos para apreciar cada telhado vermelhinho, fazer um monte de vídeos e tirar todas as fotos e selfies que quiser. Mas eu não tinha noção disso e achei melhor correr.

Olhando para cima, vi uma plataforma lá no alto e pensei que estava OK, que seria tranquilo, 498 degraus nem são tanta coisa. Mas, chegando a essa plataforma, descobri que ainda havia outra mais em cima. E, chegando nessa outra, que tinha ainda mais uma.

Eu não sei quantas plataformas são. Mas são muitas. A subida é puxada, com uma escada íngreme e apertada, às vezes com degraus tão pequenos que, na hora de descer, é melhor fazer isso de costas! Ainda bem que tem essas plataformas para parar e dar uma respirada antes de encarar outro lance de escadas.

Fui a terceira a chegar ao topo da Torre degli Asinelli e fui recebida com palmas do primeiro colocado – mas não eram para o esforço, e sim para a vista. Sei que é clichê dizer isso, mas não há outras palavras: é de tirar o fôlego.

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O topo da Torre degli Asinelli é bem pequeno, por isso a necessidade de subir em grupos limitados. As janelas também são estreitas, mas há várias, em todo o entorno. E, ao longo da visita, é possível revezar os espaços e ver um pouco de cada uma.

Um dos nomes pelos quais Bolonha é conhecida é La Rossa, ou a vermelha, por causa dos telhados de cor avermelhada que são assim desde a Idade Média. Lá de cima, isso é inegável: Bolonha parece uma cidade construída com aquele brinquedo de blocos de madeira que fazem casinhas. O contraste dessa cor com o céu azul, já mudando de cor com a chegada do por do sol, é lindo.

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Driblando a grade e segurando o celular a 100 metros de altura para fazer uma foto maneira…

 

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…E com o celular a salvo e uma foto não menos bonita 🙂

Dá para ver os principais pontos da cidade como se ela fosse uma maquete: pertinho estão a Piazza Maggiore, a Basílica de São Petrônio, o Archigginasio, a Catedral de San Pietro e até a torre Garisenda, a menor das duas, um pouco mais torta que a degli Asinelli e fechada para visitação. Mais longe, é possível ver o Santuário Madonna di San Lucca, a estação, o Parco della Montagnola…

O que mais impressiona é imaginar como era a vista dessa torre na época de sua construção, entre 1109 e 1119, quando foi erguida na entrada da cidade com fins militares, para defesa e vigilância. Impressiona mais ainda lembrar que Bolonha é tão antiga, mas tão antiga, que provavelmente não mudou muito. Ainda assim, a torre assistiu à construção de praticamente todos os pontos que citei no último parágrafo.

Feita a admiração (e as fotos), é hora de descer os mesmos 498 degraus. Claro que a descer todo santo ajuda, então é menos difícil que a subida. Aqui, é preciso ter ainda mais paciência: como tenho pés grandes demais para os degraus estreitinhos, mais de uma vez pisei em falso e quase caí!

torre degli asinelli bolonha por dentro
Ôôôôô vertigem!

Confesso que saí da torre com bastante dor na articulação do pé, uma coisa que nunca tinha sentido! Como minha casa também tem escada, passei uns dois dias ainda lembrando da torre… Mas com bastante carinho, porque foi um passeio que, agora, considero obrigatório em Bolonha. Eu já gostava da cidade, mas vê-la lá de cima me aqueceu o coração de um tanto que ela está oficialmente na lista de Cidades Nas Quais Eu Gostaria De Morar Um Dia.

E ainda bem que meu namorado me convenceu a não esperar para subir com ele em uma próxima vez: li, depois, que há uma lenda de que casais que sobem a torre juntos se separam.

TL;DR

  • A Torre degli Asinelli, a mais alta das Duas Torres de Bolonha, é aberta a visitação
  • São quase 100m e 500 degraus para ter uma vista panorâmica belíssima da cidade
  • Ingresso: €5, comprado na Piazza Maggiore ou online
  • Os grupos sobem a cada 45 minutos
  • A subida exige mais paciência que condicionamento físico

Vídeo: turismo em Bolonha

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Subindo na Torre degli Asinelli, em Bolonha

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  • Sobre

Giovana Penatti

Oi 🙂 Meu nome é Giovana, sou jornalista e criei o blog para falar de viagens, da vida viajando, da falta que faz viajar! Originalmente, sou de Piracicaba-SP. Hoje, moro na Itália. Sou formada em jornalismo, tenho um cachorro chamado Bernardo, gosto de pizza e roo unhas o tempo todo. Para saber mais sobre o blog e entrar em contato, clique aqui!

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