Como arrumei emprego na minha área em Londres

Preciso confessar: arrumar um trabalho em Londres não era uma prioridade para mim assim que cheguei na cidade. É claro, ganhar em libra seria maravilhoso… Mas eu cheguei com lockdown e a segunda onda da pandemia. Então, conseguir um trabalho no que eu já tinha experiência, que era em restaurante, seria impossível. Portanto, era melhor botar o pé no chão e continuar com o meu emprego do Brasil mesmo. E tudo bem!

Mas, um dia, uma conversa aleatória na cozinha da primeira casa que morei na cidade me deu outra ideia. Quando contei para um dos caras lá que eu estava esperando as coisas reabrirem para procurar emprego, ele me falou que eu falava inglês fluente e já tinha uma carreira, então poderia muito bem encontrar algo na minha área.

Ah, mas eu nem ligo tanto assim para a minha carreira. Eu gosto de trabalhar com público. Eu quero ter essa experiência. E várias outras justificativas vieram, mas aquilo ficou na minha cabeça: eu sei o idioma, eu sei o que estou fazendo no meu trabalho e, modéstia à parte, eu sou boa nele. Então, por que não tentar? O pior que poderia acontecer é eu receber um “não”.

Nesse caso, nada mudaria na minha vida. E minha vida estava boa. Então, nenhum problema!

Como encontrar trabalho em Londres

Meu caminho para encontrar um trabalho na minha área em Londres não foi linear. Pelo contrário: eu cheguei a ficar tão frustrada que, mais de uma vez, simplesmente desisti. Mas, no fim, aconteceu! Então, quis dividir neste post os principais movimentos que fiz até conseguir algo, para te incentivar a também seguir na luta.

1. Arrase no inglês

É isso mesmo que você está vendo: the book is on the table.

Não tem como fugir disso. Existem empregos para quem não fala inglês na Inglaterra, mas, para trabalhar na sua área, você provavelmente vai precisar dominar o idioma. Afinal, em primeiro lugar, você estará competindo pela vaga com outras pessoas que nasceram no país, falam o idioma como primeira língua e têm uma experiência bem diferente da sua, e talvez até mais compatível com o mercado.

Além disso, mesmo que você não pretenda trabalhar na sua área de formação, saber inglês é o que vai te garantir salários melhores ao longo do tempo. E, claro, você mora na Inglaterra, então convenhamos: o mínimo é saber o idioma.

2. Atualize seu LinkedIn

O LinkedIn é uma das melhores formas de encontrar oportunidades de trabalho. Mas muita gente não sabe utilizar as ferramentas que ele disponibiliza para isso. Portanto, o primeiro passo é atualizar seu perfil – mas atualizar direito!

E já adianto que vai dar trabalho, se você não costuma fazer isso com alguma frequência. Então, pode abrir um vinho e soltar um lo-fizinho, que você precisa detalhar cada uma das suas experiências profissionais, criar um bom parágrafo de apresentação, definir qual seu título, criar os alertas de vagas… E tudo isso com o inglês impecável!

Recomendo que você se inscreva no canal Hackeando a Carreira! A Adeline dá muitas dicas para quem busca emprego na área de formação no exterior, de fazer o currículo até se preparar para a entrevista, e tem vários macetes de LinkedIn também.

3. Conte para todo mundo que você busca um trabalho em Londres

As oportunidades vêm de onde você menos espera. Por isso, pode contar para todo mundo o que você procura! Afinal, você provavelmente tem amigos que estão no mesmo estágio que você em Londres, e podem acabar ouvindo falar de alguma vaga que seja na sua área. Ou, então, que já estão aqui há algum tempo e conhecem mais gente.

Eu sou prova de que isso funciona. Quem me indicou a vaga para o lugar onde estou trabalhando foi uma amiga, que viu num grupo de brasileiras em Londres e me falou algo do tipo “acho que isso aqui é na sua área, dá uma olhada!” Poderia muito bem não ser, mas ela sabia que eu trabalhava com conteúdo e marketing e estava procurando. Então, entrei em contato com a moça que tinha postado, ela me indicou internamente e agora somos colegas de trabalho!

4. Cada entrevista é um treino

Eu não faço ideia de quantas entrevistas fiz desde que cheguei em Londres. Imagino que tenham sido pelo menos umas 20. Na maior parte, não passei da primeira fase. Em pelo menos duas, cheguei na etapa final. E, meses antes de aceitar a vaga que tenho hoje, recusei uma proposta (que, inclusive, tinha o salário mais alto! Vou contar mais sobre isso mais para a frente, talvez em um vídeo).

No entanto, encarei cada entrevista como uma oportunidade de aprender muita coisa: desde como e o que falar sobre mim e sobre minha experiência, até entender como é o mercado e que habilidades eram mais valorizadas. Dessa forma, aos poucos fui descobrindo o que era mais relevante de ser mencionado, quais cases que eu podia dividir que faziam os olhos dos recrutadores brilharem mais, e até qual “narrativa profissional” era melhor de contar.

Importante: quando falo em narrativa profissional, não tô falando em mentir na entrevista, mas de adequar o jeito que você conta sobre sua trajetória de forma que seja relevante para quem está te entrevistando. Aquela coisa de falar o que a outra pessoa quer ouvir, sabe?

5. Você só precisa de UM “sim”

Eu sei: receber um “não” dói. E, quando você tem certeza que arrasou na entrevista e que seria a candidata ou candidato ideal para aquela vaga, dói mais ainda. Eu passei por isso pelo menos umas quatro vezes, e nunca ficou mais fácil.

Trabalho em Londres
Esse é meu look corporativo do primeiro dia de trabalho em versão londrina

Aliás, teve uma hora em que lidar com essa rejeição começou a me fazer tão mal que eu simplesmente parei de procurar novas vagas. Me sentia incompetente, uma farsa, totalmente incapaz de concorrer a uma vaga com alguém que nasceu e cresceu aqui. Tinha medo de tentar de novo e lidar com outra rejeição.

Assim, comecei a me candidatar apenas para as que realmente quisesse, mesmo quando era um recrutador que me encontrasse para alguma. Eram rejeições mais produtivas, digamos assim: eu conseguia pegar o feedback da entrevista e colocá-lo em prática rapidamente. Mexia em algo no LinkedIn, aproveitava algum feedback e tentava de novo. E de novo. E de novo.

Sério, foram muitas rejeições mesmo até meu “sim” chegar. E, para quem já aterrisou em Londres com uma entrevista numa grande empresa marcada para a mesma semana, bater tantas vezes na trave era muito dolorido, uma sensação de “tão longe e tão perto” que parecia impossível de superar…

Este post não é um passo a passo ou um manual para conseguir trabalho em Londres na sua área. Afinal, cada caso é um! Mas espero que meu relato ajude a erguer a cabeça e levantar depois de cada tombo nessa jornada que é a recolocação profissional no exterior.

Eu sei que não é nada fácil: por mais que a gente saiba que trabalho não é tudo na vida, ele influencia em muito na nossa autoestima e na forma em como vivemos em outro lugar. Só por ter ido para o escritório algumas vezes, eu já me sinto muito mais moradora de Londres do que antes, e minha qualidade de vida é totalmente outra.

Boa sorte na sua procura! 🙂

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Giovana Penatti

Giovana Penatti

Giovana tem 31 anos e é jornalista. Mal pode esperar pela terça-feira à tarde na qual estará tomando um drink numa praia no Mar Mediterrâneo rindo muito de tudo isso. Enquanto isso, escreve sobre viagem e morar no exterior por aqui!