Jovem Larga Tudo para conhecer o mundo trabalhando em cruzeiro

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A Luana é uma das maiores entusiastas de viagem que eu conheço! Nunca sei ao certo onde ela está, mas sei que é um lugar legal. E não tem tempo ruim: seja acampando no meio do mato ou vivendo na casa de uma família como Aupair, ela topa qualquer aventura para conhecer um canto novo.

Ela passou os últimos anos trabalhando (e morando) em cruzeiros e essa é uma forma diferente de fazer o que muita gente sonha, que é conhecer vários países enquanto trabalha legalmente!

Então, a convidei para contar tudo sobre essa experiência aqui no blog: como começar, onde começar, o lado bom, o lado ruim, e como é na prática viver no mar!

Espero que seja inspirador! 🙂 

Quem me conhece sabe que eu adoro um desafio! Com 16 anos, já tinha um planejamento a longo prazo: terminar o ensino técnico de Publicidade, fazer faculdade de Jornalismo e ser Aupair (intercâmbio onde moramos na casa de uma família, aprendemos e/ou aperfeiçoamos a língua local e cuidamos das crianças).

Aos 24 anos, depois de ser passar dois anos como Aupair nos Estados Unidos, voltei para o Brasil fluente em Inglês. Achava que conseguiria um trabalho decente e… Ledo engano! Fiquei quase 6 meses desempregada e aceitei voltar a trabalhar em um lugar onde havia sido estagiária antes. Para resumir, FOI HORRÍVEL.

Decidi largar tudo e ser Aupair novamente; dessa vez, na Bélgica. Mas não dei tanta sorte: após 9 meses, voltei para o Brasil, pois as famílias com quem trabalhei foram super abusivas. Como sempre tento tirar o máximo de proveito e ver coisas positivas em tudo, ainda penso que o saldo foi ótimo. Fui a lugares incríveis na Europa e realizei muitos sonhos nessa época. <3

Fiz toda essa introdução para que vocês entendam o motivo de arrumar esses tipos de trabalho: sempre procuro algo para fugir da rotina, ter experiências diferentes, receber na moeda local (de preferência!) e que me permita viajar muito!

Depois dessa experiência agridoce na Bélgica, lembrei dos meus sonhos de quando tinha 16 anos. Eu já tinha pesquisado sobre o trabalho em navios, mas nunca imaginei ser capaz, pois não tinha experiência em nada, muito menos o domínio do inglês.

Até que, ao voltar da Europa, trabalhava uma escola maravilhosa de idiomas e estava amando, mas a estrada me chamava. Foi quando resolvi, finalmente, dar uma boa olhada nas oportunidades da vida no mar.

Trabalhar em cruzeiro: como começar

Eu pesquisei MUITO sobre a vida a bordo. Entrei em grupos no Facebook como o Crew Life, conversei bastante com pessoas que já tinham embarcado, li muitos textos na internet… Isso me ajudou a definir qual posição a bordo em que me encaixaria melhor e se isso era pra mim mesmo.

Para começar, é importante saber que:

  • Você precisa falar inglês: é a língua oficial do navio. Se você tiver um Inglês superbom, pode ter certeza que conseguirá posições equivalentes no navio. Mas não desanime se não falar tão bem, dá pra ir também! E, lá, você irá praticar bastante e melhorar rápido 😉
  • Se fala mais de duas línguas, ótimo, mais vantagens para você! Espanhol, francês, alemão e italiano são muito valorizados;
  • Precisa ter mais de 18 anos;
  • Para algumas vagas, é necessário que tenha experiência na área que deseja atuar. Mas, dependendo da vaga, não! A agência avaliará o candidato e os conhecimentos em sua área de interesse e considerará os traços de seu comportamento pra definir qual será a melhor posição a bordo. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo!
Conhecendo Wadi Shab, no Omã!

Estava tudo certo para eu embarcar como Bar Waiter. Já tinha passado nos testes e tudo, mas, quando viram minha qualificação como jornalista e o nível de inglês, me ofereceram a posição de Program Hostess. Essa é a pessoa que faz o programa diário do navio (o jornalzinho!)

Lá, você encontra a previsão do tempo, horários de funcionamento e localização de tudo dentro do navio, curiosidades sobre o porto da próxima parada, as atividades de entretenimento do dia, etc. A posição demanda muita atenção, perfeccionismo  e organização, mas, no fim das contas, adorei ter sido indicada para esse trabalho!

Como é a vida a bordo?

Se eu for fazer um gráfico de divisão do tempo que temos a bordo, definiria como: 90% trabalho, 5% sair do navio nos portos para conhecer as cidades e 5% comer, dormir, transar, se exercitar, limpar o quarto, lavar a roupa, ir às festinhas, enfim, vida normal.

Ou seja, uma loucura!

Não pense que temos vida mansa! Aquelas fotos que a gente posta no Instagram são só os 5% do “glamour”, do “minha filha trabalha pelo mundo… hoje não sei se está na Grécia, na Itália, ou, como é mesmo o nome daquele país? Ah, Montenegro!”

Sofrendo muito em Santorini, na Grécia

Às vezes, só vemos esses países pela janelinha redonda do escritório, ou da parte aberta dos decks (pra quem tem acesso, pois tem gente que não vê nem a cor do dia!). Ou seja, muitas vezes a carga de trabalho é tanta que nem temos a oportunidade de realmente conhecer os lugares por onde o navio passa.

Staff, crew… Os cargos no cruzeiro

Os cargos dentro de um navio são semelhantes aos de um resort.

O organograma se baseia em três divisões: oficiais (tripulantes de carreira, engenheiros e chefes de departamentos), staff (recepção, lojas, fotografia, entretenimento) e crew/tripulantes (hotelaria) e as áreas de atuação podem ser ligadas diretamente aos passageiros ou não.

Officer (Oficiais) – normalmente não se encontra brasileiros entre eles, pois não temos um histórico (leia-se: anos de casa!) nesse mercado. Mas há exceções!

Staff – são as posições mais atrativas para brasileiros, pois, à primeira vista, se trabalha menos e não é um trabalho com grande esforço físico e braçal (ilusão, tá? É beeem puxado!). Para estes departamentos, as vagas são mais concorridas, principalmente porque competimos com outras nacionalidades, como os europeus. Ainda não temos no Brasil uma hotelaria 6 estrelas e, no geral, não falamos outras línguas além do inglês com fluência, e esses são os principais requisitos para contratação.

Grande Mesquita em Abu Dhabi

É importante pensar que em um navio mediano tem uma recepção com um quadro de, em média, oito funcionários, enquanto o departamento de restaurante conta com 600 tripulantes. Ou seja, para cada recepcionista embarcado, temos 100 tripulantes do restaurante. Então, as companhias contratantes definem quem tem mais qualificação e maior fluência em outros idiomas para os cargos de Staff.

Crew – Imagine um hotel, excluindo os setores de recepção, concierge, reservas e administrativo. As posições restantes são as de Crew. São os departamentos que têm maior quantidade de vagas e a rotatividade é bem alta. São as posições que mais ganham dinheiro a bordo, dependendo do cargo que você atuará, pois estão ligadas ao serviço da hotelaria, como bar, restaurante e housekeeping, que ganham bastante em tips! Esses departamentos são uma grande oportunidade para embarcar, pois é mais fácil entrar, ganhar bem e há chances de crescer dentro do navio.

Existem 2 tipos de Crew: Front of the house (tripulantes que trabalham para o passageiro) e Back of the house (tripulantes que trabalham nos bastidores). Para qual posição você serve? Tudo depende do seu nível de inglês e a sua qualificação!

Quanto ganha quem trabalha em cruzeiros?

Depende da companhia e da posição. Andei pesquisando e encontrei essa tabela de salários da temporada de 2018/2019, de acordo com os valores divulgados pelas empresas de recrutamento:

  • Cleaner: US$ 700
  • Camareira: US$ 1.500
  • Atendente de restaurante: US$ 1.000
  • Lavador de pratos: US$ 767
  • Atendente de piscina: US$ 902
  • Técnico de palco: US$ 1.275
  • Técnico de luz: de US$ 1.700 a US$ 2.200
  • Técnico de som: US$ 1.700 a US$ 2.200
  • Fotógrafo: US$ 700 mais comissões
  • Animador infantil sazonal: US$ 1.000
  • Médico: US$ 6.500
  • Enfermeiro: US$ 3.728
  • Bartender: U$933,00 + extras
  • Auxiliar de bar: U$550,00 + extras
  • Garçom: US$ 900,00
  • Mensageiro: U$600,00 + Extras
  • Cozinheiro: U$1182.00
  • Dançarino: U$ 870,00

Tá, ainda quero me candidatar, onde mando meu currículo?

Para o primeiro embarque, é muito difícil ser aceito mandando diretamente para as companhias. Geralmente, se aplica com agências recrutadoras, como ValeMar Brasil, Portside, Infinity Brasil e Rosa dos Ventos Brasil.

O processo é relativamente simples: basta acessar o site e mandar o currículo na janela indicada. As empresas vão te chamar caso o seu currículo esteja de acordo com os requisitos essenciais para trabalhar em cruzeiros. As entrevistas costumam ser presenciais e o processo seletivo se divide em algumas etapas.

Cursos para trabalhar em cruzeiro

Independente da Companhia de Navegação, todo e qualquer tripulante deve participar do Curso Básico de Segurança de Navio (CBSN).

A Convenção que traz tal determinação é o STCW – Standards of Training and Certification Watchkeeping Convention. Como o Brasil é país signatário dessa convenção, cabe à Marinha Brasileira a fiscalização para verificar que os trabalhadores embarcados em navios de cruzeiro a possuem.

No geral, você precisará investir uns R$ 2.500 contando todos os cursos, vacinas e exames médicos para embarcar. Algumas companhias reembolsam o exame médico após um período embarcado.

Se você nunca trabalhou a bordo de um navio, mas deseja aumentar as suas chances de contratação, é interessante investir em qualificações em alguma área relacionada, como restaurante, hotelaria e entretenimento. As agências especializadas em recrutar pessoal para cruzeiros valorizam a experiência profissional. Seja para trabalhar em cruzeiro ou não, nunca pare de estudar!

No deserto em Dubai

FAQ – Perguntas frequentes

Qual é a média de horas trabalhadas?

Tecnicamente de 10 a 14 horas POR DIA, 7 dias por semana.

Quanto tempo você fica embarcada?

Trabalhamos por contratos. Em média, são de 7 a 9 meses. Sim, todo esse tempo sem voltar para casa!

Você faz somente a temporada brasileira?

Não! A temporada brasileira dura apenas 4 meses e é uma ótima época pra aplicar para embarcar. Mas os contratos são, normalmente, de 7 a 9 meses.

Quando é a temporada brasileira e por que é a melhor época?

Os navios vêm para o Brasil no começo de Novembro e vão embora fim de Fevereiro/começo de Março. Essa é a melhor época porque é quando precisam de mais brasileiros trabalhando! Existe uma lei que exige que 20% dos tripulantes sejam brasileiros, caso um navio fique por mais de 30 dias na nossa costa.

Você tem a vida dos sonhos, né?

Não. Se fosse um sonho eu não precisaria trabalhar.

Vale a pena trabalhar em cruzeiro?

O dia em que nos encontramos em Veneza!

Depende! Essa é uma questão muito pessoal, mas indico pra todo mundo que quer ter uma experiência diferente na vida 😀 É literalmente uma relação de amor e ódio. Sempre digo que você tem que ver por você mesmo. Faça um contrato e avalie!

Mas pra te ajudar, fiz uma listinha de vantagens e desvantagens.

Prós…

  • Você convive com pessoas de diversas etnias, culturas, línguas… Terá um crescimento pessoal muito grande!
  • Quando – e se – tiver tempo, poderá conhecer muitos lugares diferentes;
  • O fluxo de pessoas é muito rotativo: sempre terá gente embarcando e desembarcando (isso pode ser vantagem ou não: pense que seus amigos irão embora, mas pode ser que aquele chefe insuportável também vá);
  • O salário é em dólar;
  • Pode fazer bons contatos pessoais e profissionais;
  • Se for Staff, terá acesso à área de passageiros e poderá assistir aos shows, frequentar os bares, SPA, restaurantes temáticos… Enfim, as partes mais legais do navio!
  • Férias de 2 a 4 meses;
  • Oportunidade de crescimento na companhia;
  • Se apaixonar e desapaixonar muitas vezes;
  • Não terá despesas, afinal não precisa pagar moradia, seguro saúde, médico a bordo e alimentação – esse último, com uma ressalva que está nas desvantagens!

…E contras:

  • Você não está indo de férias, o foco é o trabalho!
  • Ficará muito tempo longe da família;
  • Barulho: ter que dormir com som alto e gritos dos passageiros em dias de festa, depois de você ter passado por um dia de trabalho exaustivo;
  • Solidão;
  • Falta de privacidade: tem que dividir a cabine com outra pessoa. Nem no próprio quarto você está sozinho. A pessoa pode ser muito legal ou não, pode cheirar mal, roncar, ser desorganizada…
  • Não tem dia de folga. Nem unzinho… NADA! São 7 meses trabalhando todos os dias;
  • As comidas dos tripulantes não são as mesmas que as dos passageiros. Às vezes, nem sabemos o que está sendo servido. Imagine comer a mesma coisa todos os dias por 7 meses! Além disso, em algumas companhias, a comida não é bem feita: às vezes é crua e menos nutritiva. Vá preparado pra gastar uma graninha no porto pra comer delícias gregas, italianas, árabes…
  • A maioria das companhias disponibilizam uma internet BEM CARA pros tripulantes – por exemplo, 29,99 euros por 4GB somente em redes sociais e 9 euros por 400MB de internet normal. Muitos nem compram o pacote do navio e só entram em contato com a família quando conseguem um Wi-Fi fora, ou compram um chip de alguma localidade por onde o navio passa. Ou seja: embarque com um arsenal de filmes, músicas e séries baixados em casa! 
  • Algumas pessoas sentem enjoo – não foi o meu caso.

Não basta apenas gostar de viagens para trabalhar embarcado. Lembre-se: você não é um passageiro que está apenas passeando e curtindo lugares fantásticos!

É essencial exercitar o foco, a disciplina e ter disposição para desempenhar uma função a bordo. Não esqueça a cordialidade e a simpatia: o navio é um ambiente pequeno e todo mundo precisará de todo mundo em algum momento.

Resiliência é a palavra-chave para viver bem: dentro de um cruzeiro marítimo há pessoas com diferentes personalidades, pensamentos e culturas, então a capacidade de adaptação é um atributo muito valorizado pelos recrutadores.

E, antes de decidir, pesquise, pesquise e pesquise! E não tenha medo, tenha coragem para se aventurar no mar e conhecer o mundo de uma forma diferente! 🙂

Luana L. Loureiro tem 29 anos, já esteve por 29 países and counting! Morou em 3 deles e sua vontade é de morar em pelo menos um em cada continente. Mas, enquanto não dá, leva sua casa nas costas e viaja por aí. É jornalista, mas faz o que aparecer na estrada. Viaja pra trabalhar e trabalha pra viajar… Só não vendeu sua arte na praia – ainda. Confira o que ela anda aprontando no @mochilandocomalu.

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  • Sobre

Giovana Penatti

Oi 🙂 Meu nome é Giovana, sou jornalista e criei o Beijo e Ciao para falar sobre viagens: dicas de passeios, lugares incríveis, experiências transformadoras e as dores e alegrias de morar fora! Originalmente, sou de Piracicaba-SP. Hoje, moro na Itália. Para saber mais sobre o blog e entrar em contato, clique aqui!

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