Sagrada Familia em Barcelona: tudo e divino, tudo e maravilhoso

Sagrada Família em Barcelona: tudo é divino, tudo é maravilhoso

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Ir pra Barcelona e não ver a Sagrada Família era, pra mim, algo impensável. Você já viu nesse post a saga pra conseguir ingressos, então já sabe que, se me perguntar se vale a pena ver a Sagrada Família em Barcelona, a resposta é não. Não “vale a pena”; é obrigatório, isso sim!

Dessa vez, fui com o meu marido, que nunca tinha estado na cidade. Quando falei que precisávamos ir na Sagrada Família, ele torceu o nariz. Quando viu o preço, mais ainda: 25 euros pra ver uma igreja?!

“Eu pago”, insisti. “Você TEM que ver”.

Comprei o ingresso pro domingo de manhã, num dos primeiros horários – macete obrigatório pra visitar qualquer ponto turístico sem pegar muita fila ou trombar com gente o tempo todo. Ainda mais em tempos de pandemia: esperávamos que a cidade estivesse naturalmente mais vazia, e isso também refletiria na lotação da Sagrada Família em Barcelona. Mas, cerca de uma hora depois, quando estávamos indo embora, passamos na frente e estava BEM mais cheio do que imaginei!

Sempre em construção

Antes mesmo de entrar, o exterior da Sagrada Família chamou nossa a atenção por motivos diferentes. Ela é enorme, imponente, cresce gigantesca numa cidade em que os prédios não ultrapassam poucos andares – provavelmente, tem alguma lei falando disso, já que Barcelona é uma cidade planejadíssima.

Mais altos que suas torres já finalizadas, estão os andaimes que continuam a construção. Afinal, a Basílica só será terminada em 2026, no centenário de morte de seu projetista, Antoni Gaudí. Nas fotos da primeira visita, mal se vê a torre central; agora, ela está começando a despontar entre as menores, e ainda tem muito o que crescer.

Sagrada Família em Barcelona em 2016 e 2020
À direita, a Sagrada Familia em 2016; à direita, em 2020

Visitá-la novamente trouxe, pra mim, uma noção de mudança e de passagem do tempo muito grande. Aquela coisa de que nada se constrói da noite pro dia, nada perfeito é feito com pressa.

Aliás, essa sensação foi uma que ficou muito evidente em Barcelona, mas vou falar sobre isso em outro post quando contar do Museu Picasso.

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O bilhete vem com um áudio-guia, que é um app de celular que pode ser baixado antes da sua visita. No templo só tem o Wifi da cidade, e ele não é lá muito confiável. Portanto, recomendo que baixe no hotel, coloque o código do seu bilhete no aplicativo e espere que ele faça o download das trilhas antes da visita!

Tudo é divino: as fachadas da Sagrada Família em Barcelona

Conhecer a Sagrada Família sem o áudio-guia não é impossível, mas ele dá uma profundidade muito maior. Detalhes e significados que passariam despercebidos surgem à vista e explicações ficam claras com os áudios curtinhos.

Foi com ele que entendemos as tartarugas que, na entrada da igreja, seguram colunas enormes – a tartaruga que fica do lado do mar é uma marinha; do outro lado, uma terrestre. Isso nos deu pistas de como Gaudí pensava em integrar e homenagear na natureza em seus projetos, o que também ficou claro quando visitamos o Parc Güell.

Sagrada Família em Barcelona: fachada do nascimento de Cristo
À direita, a fachada inteira. À esquerda, o detalhe das esculturas, com o nascimento de Cristo no canto direito da foto

O áudio-guia fala de detalhes das esculturas das fachadas. Na entrada, que é o lado do nascimento de Cristo, há rostos de pessoas que Gaudí conhecia. Foi uma forma de homenagear sua comunidade em uma obra tão grandiosa.

Por outro lado, na saída, as esculturas têm uma estética mais moderna e mostram a Paixão de Cristo. Ou seja, são obras cheias de quinas, que fogem do realismo mas são cheias de expressividade. A estátua central, de Cristo sendo açoitado com a expressão triste, parte o coração.

Há outro detalhe impressionante: colunas inclinadas que parecem músculos tensos são uma possível referência à sensação desse momento. Acima delas, uma estrutura que parece ossos pode lembrar as costelas desnutridas saltando do corpo, como em toda representação de Jesus crucificado que você já viu.

Fachada da Paixão de Cristo na Sagrada Família em Barcelona
À esquerda, a fachada da Paixão de Cristo, com a escultura de Cristo sendo açoitado ao centro. À direita, uma visão maior da fachada

Essa união de corpo humano com figuras sagradas dá uma ideia de que a Sagrada Família não é uma igreja qualquer. Mas é lá dentro que a maior magia acontece.

Tudo é maravilhoso: a Sagrada Família por dentro

O interior da Sagrada Família não se parece com nada que você já tenha visto na vida. E eu nem sei o que você já viu, mas sei disso.

Ela é toda branca, com colunas que sobem até o teto e se ramificam no topo criando figuras geométricas perfeitamente simétricas, como um bosque de pedra feito de pórfiro, basalto e granito. Ou seja, não há quadros, afrescos, nada. A própria igreja é a obra de arte.

O maior espetáculo, no entanto, vem quando sai o sol: do lado da fachada do nascimento, os vitrais azuis e verdes pintam o interior de cores frias. Do lado oposto, os vitrais vermelhos e amarelos dão a sensação de calor.

Nenhuma foto vai captar, mas a gente tenta…

Observando da nave, é possível ver os dois ao mesmo tempo. E não há exageros aqui: é um espetáculo que te rouba o fôlego. Nem te vem vontade de falar, porque não há o que dizer. Não há foto ou vídeo que consiga transmitir o que é a Sagrada Família em Barcelona. Nem tem como descrever.

Aliás, imagino que era essa a sensação que Stendhal descreveu em Florença, uma euforia ao ver algo tão lindo que você até atordoa. Tão lindo que a gente esquece de tirar foto e volta no fim do tour pra fazer isso.

Tudo é divino, tudo é maravilhoso

Nos sentamos num dos bancos e observamos nosso redor por alguns minutos. O dia estava nublado, então a luz batia nos vitrais com uma intensidade variada. Víamos as cores brilharem e diminuírem lentamente, como se pulsassem. Para olhar por mais tempo os detalhes das copas das árvores modernistas no teto, precisei por a mão na nuca. Observamos cada detalhe do altar: o guarda-sol decorado com uvas e trigo, no qual Cristo está pendurado sem um crucifixo. O olhar sobe e, lá no alto, quase imperceptível, vê um triângulo dourado que simboliza Deus e irradia luz para baixo.

Veja bem, eu não sou uma pessoa religiosa. Meu marido também não é. Eu ainda sou mais romântica, falo que perceber a beleza no dia a dia, ver as flores, observar as estações, olhar o jeito que as pessoas andam. Por outro lado, ele acha que uma árvore florida é bonita e só.

Mas, na Sagrada Família, ele chorou quatro vezes. Eu fiquei paralisada.

Depois, conversando sobre o que vimos, imaginamos que essa a sensação é, provavelmente, a sensação de divindade. Procuramos uma palavra melhor, mas essa parece ser, realmente, a mais próxima. Sabe quando você dá um nome pra uma sensação e espera que seja essa a coisa?

Mas o que é o divino?

Gaudí se recusava a criar algo mais grandioso que a natureza. Tanto que a torre principal, quando ficar pronta, terá 172,5 metros – 0,5 a menos que a montanha Montjuic, que fica na cidade e é conhecida por abrigar o Museu Nacional de Arte da Catalunha e as instalações da Olimpíada.

Deduzimos que o divino, para ele, está na natureza. Além disso, o que o homem faz com isso é a forma de manifestá-la – seja nas árvores de pedra, que são elementos naturais esculpidos pelo homem, seja na cor dos vitrais, que são luz passando por vidros coloridos, seja na representação de personagens sagrados com rostos comuns.

E, sinceramente, eu tendo a concordar. Afinal, essa é a maneira mais bonita, respeitosa e material de falar sobre algo que é abstrato e, até onde eu sei, exige que você tenha fé. Isto é, ou você acredita que existe, ou não existe. Mas perceber a mistura entre o trabalho das pessoas e a natureza não exige nada disso: apenas abrir o coração e se permitir admirar, aceitar que há coisas muito maiores e complexas que nós, que somos apenas ferramentas para que elas se manifestem.

No fim, depois de visitar a Sagrada Família em Barcelona, me vem uma sensação de ressaca emocional, uma exaustão dos sentidos, esgotamento das palavras pra contar algo que simplesmente não dá. E acho que nada no mundo é tão bonito, tão impactante ou tão poderoso quanto isso.

Sagrada Família em Barcelona: tudo é divino, tudo é maravilhoso

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Giovana Penatti

Oi 🙂 Meu nome é Giovana, sou jornalista e criei o Beijo e Ciao para falar sobre viagens: dicas de passeios, lugares incríveis, experiências transformadoras e as dores e alegrias de morar fora! Originalmente, sou de Piracicaba-SP. Hoje, moro na Itália. Para saber mais sobre o blog e entrar em contato, clique aqui!

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