Mil degraus mais perto do ceu: subi o Duomo e o Campanario de Florenca em um dia

Mil degraus mais perto do céu: subi o Duomo e o Campanário de Florença em um dia

Ou: o dia que subi 500 degraus duas vezes para que você não precise fazer isso!

duomo firenze
Dá pra sair naquela parte mais alta da cúpula!

Entre tantos ingressos caros a se pagar para visitar os principais pontos de Florença, um dos que estão em todas as listas é o do Duomo. Além de ser o principal símbolo da cidade, ele dá acesso a muita coisa: a cúpula do Duomo, o Campanário de Giotto, o Museu e o Batistério. O valor do ingresso é de 18, ele pode ser comprado pela internet e aproveitado ao longo de 72 horas!

Ou seja, se você tem três dias em Florença, dá para dividir bem as atividades. Infelizmente, eu não me atentei para esse detalhe porque… bem, foi por falta de atenção mesmo. E, como diz a minha mãe, quando a cabeça não pensa, o corpo padece.

Comecei a visita pela cúpula do Duomo, que precisa ser agendada assim que você compra o ingresso. Peguei um dos primeiros horários da manhã, coloquei meu tênis mais confortável e me preparei psicologicamente para subir os quase 500 degraus até o topo da catedral.

Pensei que, depois de encarar a Torre Degli Asinelli meio no susto, as próximas subidas em construções medievais seriam mais tranquilas. Mas, na verdade, acho que não é possível se preparar para subir 500 degraus. É sempre cansativo, a perna dói, o coração bate na garganta, você tem que parar várias vezes para descansar.

Não recomendada para pessoas com doenças cardíacas

Além de estreita, essa escada é curva: é a parte em que você escala a cúpula!

Subindo o Duomo de Florença, aconteceu algo pior ainda comigo: não sei se foi um início de crise de pânico ou uma claustrofobia que bateu, mas eu comecei a me desesperar com as paredes estreitas, as janelas pequenas e o teto baixo no caminho até o topo.

Com isso, ficou ainda mais difícil de respirar, meu ritmo cardíaco ficou ainda mais acelerado e eu tive a certeza de que ia desmaiar (ok, morrer) ali pelo menos umas três vezes. E, se isso acontecesse, não sei se alguém conseguiria me ajudar, porque eu sou grande e não daria para me carregar para fora. E pensar nisso, claro, me deixava ainda mais aflita.

Não é à toa que há um aviso na porta de que esse passeio não é recomendado para pessoas que tenham alguma doença cardíaca.

A única saída foi continuar subindo, devagar, respirando fundo e mantendo a calma na marra. A sorte é que há vários momentos em que dá para dar uma respirada mais funda, especialmente ao chegar na passarela dentro da igreja. Ela fica bem pertinho do afresco no teto e, apesar de ser estreita, todo mundo anda bem devagar ali para admirar a obra.

Mas, se você tiver medo de altura, talvez não seja o momento mais relaxante da sua subida.

Ao chegar no topo, mais do que a surpresa pela vista, o alívio que senti foi indescritível.

Mas a vista é surpreendente, sim. O Duomo tem 114 metros de altura, mais alto que o Campanário de Giotto, que fica ao lado. De lá de cima, dá para ver a cidade toda em volta; é uma perspectiva bem diferente, para não dizer oposta, do Piazzale Michelangelo, outra vista panorâmica bem famosa (e gratuita).

Como a descer, todo santo ajuda, não teve nervoso, pausa para respirar nem nada no caminho de volta; só algumas palavras de incentivo para o pessoal que estava subindo e poderia estar passando pelo mesmo que eu: tá chegando. Força. Calma. Vai dar certo.

Duomo e Campanário de Giotto no mesmo dia

Ao sair do Duomo, você já dá de cara com o Campanário de Giotto, e é meio automático ir até ela tendo o bilhete de entrada em mãos. Pudera; assim como o Duomo e o Batistério, ele é lindo e cada centímetro exige sua atenção e admiração.

E foi nessas que eu cheguei perto… Passei pela porta… Pela checagem de segurança… E encontrei mais escadas para subir.

Eu sinceramente não sei o que esperava (um museu? Uma coleção de obras de arte? Um elevador?), mas definitivamente não estava nos meus planos subir outros 500 degraus logo em seguida.

Ainda assim, não tinha muita escolha agora. E lá fui eu.

O lado bom é que o Campanário é BEM mais ventilado que o Duomo e tem mais espaço para descansar. Cada uma dessas aberturas que se vê de fora é um andar onde você pode até se sentar para recuperar o fôlego, sem a pressão de ter mais gente vindo atrás num espaço apertado. As escadas, no entanto, também são estreitas e você inevitavelmente vai trombar com gente descendo. Mas tá todo mundo no mesmo barco e tudo se ajeita.

Chegando no topo, a principal diferença para a vista do Duomo é que… Se vê o Duomo. Também é cerca de 30 metros mais baixa, então tudo parece menos menor. Além disso, há uma grade em todo o topo, semelhante a uma gaiola, que tira bastante da graça de estar lá em cima.

Tá vendo essa “borda” escura? É a grade :/

Ou seja: achei dispensável subir o Campanário. Infelizmente, só descobri isso depois de ter chegado lá.

Depois de chegar tão perto do céu duas vezes no mesmo dia, fiquei pensando foi em como as pessoas subiam essas escadas tantas vezes ao dia quando essas construções desempenhavam seus papeis originais. E, ao descer, acho que descobri: vi um dos funcionários de lá subindo e ele fazia isso numa velocidade muito, mas muito lenta mesmo.

Se nós, turistas, demoramos cerca de 20 minutos para subir, apressados pela ansiedade de ver pessoalmente como é a vista, ela deve ser tão parte da rotina desse cara que ele consegue subir tranquilamente, sem se afetar pelas pessoas que passam rápido por ele no caminho até o topo.

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Giovana Penatti

Oi 🙂 Meu nome é Giovana, sou jornalista e criei o blog para falar de viagens, da vida viajando, da falta que faz viajar! Originalmente, sou de Piracicaba-SP. Hoje, moro na Itália. Sou formada em jornalismo, tenho um cachorro chamado Bernardo, gosto de pizza e roo unhas o tempo todo. Para saber mais sobre o blog e entrar em contato, clique aqui!

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