Desmascarando 5 fake news de coronavirus na Italia

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Nas últimas semanas, fomos inundados de informações sobre o coronavírus. Como a Itália foi o primeiro país ocidental a ter essa crise, muitas notícias saíram daqui para o resto do mundo, mas muitas eram mal interpretadas ou totalmente mentirosas – fake news, conhece?

Perguntei no meu Instagram algumas dessas notícias que vocês mais ouviram por aí e/ou queriam confirmar se é verdade ou não. As cinco mais comentadas estão aí embaixo, desmascaradas.

Ah: vale sim mandar esse post no grupo da família onde você recebeu a notícia falsa, no WhatsApp, ok? 😉

1. Tal coisa cura o coronavírus

Não há um tratamento comprovado contra o coronavírus: nem loló, nem hidroxicloroquina, nem vitamina C, nem água tônica (pelo amor de deus…) podem curar um paciente que tenha contraído o vírus. A OMS recomenda ainda que sejam evitados remédios com ibuprofeno, que podem piorar o quadro do paciente; os com paracetamol são uma opção melhor. Mas, como você provavelmente já sabe, de qualquer forma é arriscado se automedicar; e o melhor é se prevenir.

2. Estão escolhendo quem vive e quem morre/abandonando idosos para morrer

O Ministro da Saúde da Itália desmentiu, nesta entrevista, de 10 de março, que isso ocorra. Segundo ele, “este dilema (escolher quem vive e quem morre) é inaceitável” e “devemos fazer tudo o possível, 24 horas por dia, para evitar chegar a este ponto”.  No entanto, lembra que existe um desafio com o aumento exponencial de pacientes, e que o governo está tentando aumentar os leitos para tratamento e comprando equipamentos para reforçar o sistema de saúde nacional. “Mas isso tudo não será suficiente se as pessoas não ajudarem ficando em casa”.

As notícias que encontrei que citam um documento que supostamente “autorizaria” os médicos a escolherem quem vive e quem morre usam como base estas recomendações da Sociedade Italiana de Anestesia, Analgesia, Reanimação e Terapia Intensiva (SIAART). No entanto, esse documento reúne critérios usados em catástrofes para lidar com a crise e são recomendações para um cenário específico, e não uma circular com diretrizes que devem ser adotadas imediatamente.

No próprio documento, se lê que “é implícito que a aplicação de critérios de racionamento é justificável somente depois que, da parte de todos os sujeitos envolvidos, foram feitos todos os esforços possíveis para aumentar a disponibilidade de recursos e depois que foi avaliada total possibilidade de transferência de pacientes a centros com maior disponibilidade.” Logo, não é o quadro de toda a Itália, e sequer encontrei notícias que mostrem que essas recomendações estejam sendo seguidas em algum lugar.

3. As pessoas estão morrendo nos apartamentos e ninguém vai tirar os corpos

Existiram alguns casos disso acontecendo: eu vi este e este. Não é algo comum, nem que “está acontecendo”. E, em um dos casos, o motivo alegado foi uma falha administrativa.

4. Se todos pegassem o vírus, criariam anticorpos

Essa afirmação se baseia no que se chama “imunização de rebanho”. Segundo essa teoria, todos se beneficiam se uma parte das pessoas for imunizada contra um vírus, afinal, haveriam menos vetores. No entanto, num cenário como o atual, esperar que as pessoas simplesmente desenvolvam anticorpos causaria a sobrecarga dos sistemas de saúde e inevitáveis milhares de mortes, muitas mais do que já estão acontecendo.

O primeiro plano do Reino Unido para conter a epidemia levava em consideração esses conceitos, mas o Primeiro Ministro Boris Johnson anunciou novas medidas que restringem a circulação de pessoas, similares às que deram excelentes resultados na China e estão sendo adotadas no resto do mundo. Até o momento, enquanto não temos uma vacina preventiva para o vírus, a melhor forma de combatê-lo é ficando em casa.

5. É tranquilo vir fazer o reconhecimento da cidadania italiana agora

Pelo contrário: este é provavelmente o pior momento para fazer o reconhecimento da cidadania italiana na Itália. Não podemos sair de casa exceto por graves motivos; apenas serviços essenciais estão funcionando; não há prazo para a quarentena acabar e as coisas voltarem a funcionar; até os voos de diversas companhias para a Itália estão suspensos. Além disso, temos uma alta sem precedentes do valor do euro! Começar agora o processo de cidadania italiana na Itália me parece não apenas uma má ideia em diversos sentidos, mas algo realmente inviável.

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Giovana Penatti

Oi 🙂 Meu nome é Giovana, sou jornalista e criei o Beijo e Ciao para falar sobre viagens: dicas de passeios, lugares incríveis, experiências transformadoras e as dores e alegrias de morar fora! Originalmente, sou de Piracicaba-SP. Hoje, moro na Itália. Para saber mais sobre o blog e entrar em contato, clique aqui!

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